As reclamações formais de consumidores do Paraná contra a Companhia Paranaense de Energia (Copel) mais que dobraram em apenas um ano. Levantamento realizado pelo Sistema FAEP — entidade representativa do setor agropecuário paranaense — com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revela que o número de queixas registradas entre setembro de 2025 e agosto de 2026 chegou a 6.051, ante as 2.882 contabilizadas nos doze meses anteriores. O crescimento é de 110%.
A situação levou o Sistema FAEP a acionar o Ministério Público do Paraná (MPPR), solicitando que o órgão apure a qualidade dos serviços de distribuição de energia elétrica prestados pela concessionária no estado. A Aneel confirmou o crescimento expressivo das reclamações em 28 de setembro de 2026.
Principais motivos das queixas
A análise dos registros oficiais aponta quais são as causas mais frequentes de insatisfação entre os consumidores:
- Falta de energia: 2.171 ocorrências, com alta de 228,44%
- Variação de consumo: 708 registros, crescimento de 109,47%
- Problemas de ligação: 535 casos, aumento de 143,18%
- Oscilação de tensão: 446 queixas, elevação de 79,84%
Entre as nove categorias com maior crescimento, constam ainda interrupções frequentes, problemas de faturamento, conexão de microgeração, alteração de carga e ressarcimento por danos em equipamentos elétricos.
Impacto no campo
No interior do Paraná, produtores rurais relatam perdas recorrentes provocadas pela instabilidade na rede elétrica. Segundo o Sistema FAEP, na região Oeste do estado, oscilações nos horários de maior demanda prejudicam atividades como a piscicultura e a pecuária intensiva. O fenômeno de baixa tensão impede que geradores particulares sejam acionados de forma automática e paralisa equipamentos essenciais à produção.
A situação se agrava durante temporais. No fim de setembro, o município de Califórnia, no Norte do Paraná, ficou sem fornecimento de eletricidade por quase 24 horas consecutivas após uma tempestade. O Sistema FAEP também aponta que algumas propriedades rurais permanecem por dezenas de horas sem energia em razão da demora no religamento de chaves individuais pelas equipes de campo da concessionária.
A entidade ainda critica os canais digitais de atendimento da Copel, que, segundo ela, não disponibilizam opções específicas para o registro de ocorrências de meia-fase ou baixa voltagem.
Posição da Copel
Em nota, a Copel afirmou que acompanha e responde a todas as demandas recebidas — seja pelos canais próprios, pela Ouvidoria, pela Aneel ou pela plataforma consumidor.gov.br — e que as manifestações dos clientes são fundamentais para a melhoria contínua dos serviços.
A empresa atribui o crescimento no volume de reclamações ao impacto de eventos climáticos severos, como tempestades e quedas de árvores que danificaram a infraestrutura elétrica em diversas regiões do estado nos últimos doze meses.
A concessionária também defende que o total de queixas deve ser analisado de forma proporcional ao número total de unidades consumidoras atendidas. Com esse critério, a Copel afirma apresentar o melhor índice de satisfação entre as distribuidoras de energia da Região Sul do Brasil. A empresa acrescentou que mantém diálogo com clientes e entidades representativas dos setores econômicos, além de cronogramas de investimentos para reforço e modernização da rede de distribuição.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



