A 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) anulou, nesta quinta-feira (1º), a condenação de Ricardo Ferreira Barollo, apontado como o mandante do assassinato de um casal na Região Metropolitana de Curitiba em 2009. Com a decisão, a pena de 48 anos e 9 meses de reclusão perde a validade, Barollo deverá ser colocado em liberdade e um novo julgamento pelo tribunal do júri terá de ser realizado.
O crime
Os assassinatos ocorreram em 20 de abril de 2009, no município de Quatro Barras. As vítimas, Bernardo Pedroso, de 24 anos, e Renata Waechter Ferreira, de 21, haviam acabado de participar de uma festa em Campina Grande do Sul que celebrava os 120 anos do nascimento de Adolf Hitler.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), o casal foi morto em razão de uma disputa pela liderança de um grupo neonazista. No caminho de volta para casa, o veículo em que estavam foi perseguido e forçado a parar no acostamento de uma rodovia. Dois homens encapuzados e armados desceram de outro carro e dispararam diversas vezes contra Bernardo e Renata, que morreram no local.
Outros acusados já foram julgados
O caso levou mais de 15 anos para chegar ao júri popular. Em março de 2025, o Tribunal do Júri de Campina Grande do Sul julgou quatro réus e proferiu as seguintes sentenças:
- Jairo Maciel Fisher: condenado a 32 anos e 3 meses de prisão.
- João Guilherme Correa: condenado a 35 anos e 2 meses. Ele havia fugido dias antes do julgamento e permaneceu foragido até junho deste ano, quando foi preso em Pavia, próximo a Milão, na Itália, em operação conjunta da Polícia Civil do Paraná com autoridades internacionais.
- Rodrigo Motta e Rosana Almeida Oliveira: absolvidos na mesma sessão.
Barollo foi julgado separadamente, em maio de 2025, e acabou condenado a quase 49 anos de reclusão na condição de mandante dos homicídios.
Por que a condenação foi anulada
A defesa de Barollo recorreu ao TJ-PR por meio de embargos infringentes, argumentando que a acusação exibiu, durante o julgamento, gravações em vídeo de depoimentos produzidos em outro processo. Como as testemunhas não prestaram seus depoimentos diretamente perante os jurados no dia do júri, os advogados sustentaram que a defesa ficou impedida de fazer perguntas e de contestar as declarações no momento adequado, o que teria violado os princípios do contraditório e da ampla defesa.
Os desembargadores acolheram o argumento e concluíram que a exibição dos vídeos comprometeu a validade do julgamento, determinando que um novo júri seja realizado perante outro Conselho de Sentença.
Reações das partes
Em nota, o advogado Adriano Bretas, que representa Barollo, afirmou que a defesa recebeu a decisão com tranquilidade e que a anulação reconhece uma ilegalidade apontada desde o início do processo. A defesa declarou que pretende demonstrar a inocência do cliente no novo julgamento e buscar sua absolvição.
O advogado José Carlos Portella Júnior, que representa a família de Renata Waechter Ferreira, manifestou consternação com a soltura do réu após 16 anos de espera por justiça. A família informou que vai avaliar os próximos passos em conjunto com o Ministério Público, mas demonstrou confiança em uma nova condenação de Barollo.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



