A TV Globo anunciou o cancelamento do debate presidencial que estava agendado para a noite desta quinta-feira (1º), poucos minutos antes das 20h30. O evento, que seria exibido logo após o Jornal Nacional, às 21h20, foi suspenso depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de participar do confronto.
A saída de Flávio ocorreu na sequência de uma liminar concedida pela ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha. A decisão judicial proibiu a emissora de mostrar um púlpito vazio com o nome do presidente Lula (PT) durante o debate e também vedou que os demais candidatos presentes fizessem perguntas direcionadas ao petista. Lula já havia comunicado previamente que não compareceria ao debate — na mesma noite, ele tinha entrevista agendada no Flow Podcast.
Em nota, Flávio Bolsonaro justificou sua desistência afirmando que a decisão foi tomada "em função da censura imposta ao evento pelo TSE" e defendeu que "a imprensa tem que ser livre e as eleições limpas".
Decisões judiciais alteraram a composição do debate
Antes mesmo da desistência de Flávio, a formação do grupo de debatedores já havia passado por mudanças determinadas pela Justiça Eleitoral. Na terça-feira (29), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, ordenou a inclusão de Romeu Zema (Novo) no debate. A decisão atendeu a um questionamento do partido, que alegou preencher o critério legal de ter ao menos cinco parlamentares no Congresso Nacional — condição que obriga as emissoras a convidar os respectivos candidatos.
Inicialmente, a Globo havia convidado apenas Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).
Já na noite desta quinta, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ainda a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate. O pedido foi feito pelo Solidariedade, que argumentou que o próprio regulamento da Globo previa a possibilidade de convidar outro candidato caso algum dos participantes originais desistisse — e que, nessa hipótese, a emissora poderia chamar o candidato mais bem posicionado na pesquisa Quaest de 28 de setembro entre aqueles sem participação garantida por lei.
Gilmar Mendes entendeu que as regras estabelecidas pela Globo criaram uma "legítima expectativa" de participação de Renan Santos e apontou um "comportamento contraditório da emissora". O ministro Kassio Nunes Marques havia negado anteriormente o mesmo pedido, por considerar que o cumprimento do critério objetivo das regras não obrigava a emissora a convidar o candidato.
Histórico dos debates da Globo antes do primeiro turno
O debate da TV Globo costuma encerrar o ciclo de confrontos entre candidatos à Presidência antes do primeiro turno. Ao longo das últimas décadas, o formato variou conforme a presença ou ausência dos principais postulantes, e em alguns anos a própria emissora optou por não realizá-lo:
- 2022 – Lula e Jair Bolsonaro participaram
- 2018 – Fernando Haddad esteve presente; Jair Bolsonaro não participou por razões médicas
- 2014 – Dilma Rousseff e Aécio Neves participaram
- 2010 – Dilma Rousseff e José Serra estiveram presentes
- 2006 – Geraldo Alckmin participou; Lula não compareceu
- 2002 – Lula e José Serra participaram
- 1998 – Não houve debate pela ausência de Fernando Henrique Cardoso
- 1994 – A Globo não organizou debate
- 1989 – A Globo não realizou debate
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



