O Paraná ocupa a terceira posição no ranking dos estados brasileiros que mais exportam peixes. De acordo com levantamento do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o estado foi responsável por 12% das exportações nacionais do setor entre janeiro e agosto de 2026. O Pará liderou o período, concentrando 22% do total.

Apenas em 2025, o Paraná gerou US$ 28,2 milhões com a venda ao exterior de filés e outros cortes de peixes congelados, frescos ou refrigerados. A consolidação do estado nesse mercado está diretamente ligada à força das cooperativas agroindustriais, que estruturaram a produção e a exportação da tilápia cultivada na região.

Nova Aurora: a capital nacional da tilápia

Dentro desse contexto, o município de Nova Aurora, no Oeste do Paraná, se sobressai. A cidade, que celebra 59 anos de emancipação nesta sexta-feira (25), detém desde 2019 o título oficial de Capital Nacional da Tilápia — e os números justificam a distinção.

Com uma população de 14.331 habitantes, o município alcançou uma produção média de 1,8 tonelada de peixe por morador. Para se ter uma ideia da proporção, se toda a produção fosse destinada ao consumo da própria população local, cada habitante precisaria ingerir entre seis e sete tilápias diariamente ao longo de todo o ano.

Os dados do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgados pela Prefeitura de Nova Aurora, apontam que o Valor Bruto da Produção (VBP) da piscicultura municipal chegou a R$ 222,748 milhões em 2025, com 26 mil toneladas de tilápia produzidas no período.

A cadeia envolve 330 produtores rurais, que atuam de forma autônoma ou integrados à cooperativa Copacol. O setor emprega diretamente cerca de 2,3 mil pessoas na cidade. Quando incluídos os segmentos de comércio, fornecimento de insumos e equipamentos, o número de postos de trabalho gerados pela atividade chega a entre 4,5 mil e 6,5 mil em Nova Aurora.

Por que a tilápia paranaense tem tanto peso no mercado?

A tilápia cultivada no Paraná abastece principalmente o mercado externo, com os Estados Unidos como principal destino, seguidos por México e países do Oriente Médio. O filé fresco é um dos produtos mais exportados.

Fatores estruturais explicam a liderança do estado: disponibilidade hídrica, clima propício ao cultivo de milho e soja — base da ração —, rede consolidada de cooperativas e frigoríficos, além da experiência técnica dos produtores.

A criação da tilápia ocorre principalmente em dois sistemas: os tanques escavados, mais difundidos no Paraná e adotados pela maioria dos produtores, e os tanques-rede, que têm ampliado a produção em diferentes regiões do estado.

Para Fábio Peixoto Mezzadri, do Departamento Técnico do Sistema FAEP, o crescimento decorre de duas frentes simultâneas. "O Paraná detém cerca de 70% das exportações de tilápias no Brasil, em torno de 40% da produção. Esse crescimento ocorre pelas duas vias, seja no aumento da lâmina d'água, como tecnologias que têm melhorado o manejo, a genética, a alimentação, a própria integração da atividade, que tem favorecido esse crescimento da atividade", afirma.

Como Nova Aurora construiu essa tradição

A piscicultura começou a se desenvolver no Oeste do Paraná entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, surgindo como alternativa econômica à produção de grãos e à pecuária convencional. Em Nova Aurora, pequenos produtores rurais passaram a instalar tanques escavados para consumo próprio e venda local, estimulados por programas estaduais de assistência técnica e pelo potencial hídrico da Bacia do Rio Piquiri.

O salto produtivo ganhou fôlego a partir de 2008, quando a Copacol iniciou suas operações locais com capacidade para processar cerca de 10 mil tilápias por dia. Em 2015, a cooperativa inaugurou uma segunda grande unidade de processamento na região. Hoje, somando as estruturas de Nova Aurora e Toledo, a capacidade de abate chega a aproximadamente 190 mil tilápias por dia.

O prefeito Pecinha (PL) atribui o desenvolvimento da cadeia à combinação de fatores históricos e estruturais. "Nova Aurora está localizada em uma das melhores regiões do país e possui forte tradição agropecuária e propriedades familiares diversificadas. A combinação de uma região com forte vocação para o agronegócio, o cooperativismo, a integração dos produtores, a estrutura industrial e o investimento em tecnologia e assistência técnica ajudou Nova Aurora a construir essa cadeia produtiva", disse.

Desafios que o setor ainda enfrenta

Apesar do crescimento consolidado, a piscicultura de Nova Aurora convive com obstáculos comuns a outros segmentos do agronegócio. Os principais são os custos de produção — com destaque para ração e energia elétrica —, além de gargalos logísticos relacionados ao transporte de insumos e ao escoamento da produção.

O fornecimento de energia é apontado como um dos pontos de maior atenção, já que os tanques dependem de equipamentos que funcionam continuamente para garantir a oxigenação da água e o manejo adequado dos peixes. Interrupções no abastecimento podem causar perdas significativas aos produtores. O poder público municipal tem buscado tratativas com representantes do setor elétrico para encontrar soluções conjuntas ao problema.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.