O Tribunal do Júri que analisa o caso do ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva foi suspenso e remarcado para o período de 9 a 13 de novembro. A interrupção ocorreu durante o segundo dia de sessão, na última quinta-feira (10), quando o réu teria atentado contra a própria vida em uma cela do Fórum de Curitiba, enquanto aguardava o interrogatório da última testemunha de acusação. O incidente levou a juíza responsável pelo caso a dissolver o Conselho de Sentença. Logo após a definição da nova data, a mesma magistrada se declarou suspeita e se afastou do processo.
Massuia responde pelo homicídio do fotógrafo André Muniz Fritoli e por ter baleado outras três pessoas em um posto de combustíveis no bairro Cristo Rei, em Curitiba, em maio de 2022. Segundo as investigações, o então policial federal estacionou o veículo em local não permitido, entrou em conflito com clientes e com o segurança do estabelecimento e efetuou cerca de dez disparos no interior da loja de conveniência do posto. Ele foi exonerado do cargo pelo Ministério da Justiça em abril de 2023 e permanece preso preventivamente desde o crime.
Defesa contesta remarcação sem laudos atualizados
Em nota divulgada à imprensa, os advogados de Massuia criticaram a decisão de remarcar o júri sem que laudos médicos atualizados sobre o estado físico e psicológico do acusado fossem apresentados previamente. A defesa alega que as condições de saúde do réu precisam ser avaliadas antes de qualquer nova sessão e anunciou que adotará medidas para garantir sua integridade até o novo julgamento.
"O que se revela, mais uma vez, é o descaso reiterado com a saúde mental de um homem que, sob custódia do próprio Poder Judiciário, tentou tirar a própria vida", afirmaram os advogados no comunicado.
Crise no Complexo Médico Penal do Paraná
A defesa também tornou público um documento enviado aos autos pelo próprio Complexo Médico Penal (CMP) do Paraná, unidade onde Massuia está detido. De acordo com o texto citado pelos advogados, a instituição enfrenta grave escassez de profissionais de saúde, operando com apenas um médico em atividade — cuja aposentadoria compulsória está prevista para novembro de 2026. A situação foi descrita como de risco de "colapso assistencial".
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



