Um grupo de empresários de São Paulo afirma ter recebido ligações vindas de Brasília com tom de pressão para que removessem seus nomes do manifesto intitulado "Pela Lei e pelo Brasil — Manifesto pela integridade das instituições e dos Três Poderes", divulgado em 9 de setembro de 2026. O documento traz críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e reúne 157 signatários.
De acordo com os relatos, os contatos faziam referência à possibilidade de reabertura ou de complicações no andamento de ações judiciais dos empresários caso eles mantivessem o apoio ao manifesto. A informação foi trazida a público pelo comentarista Caio Junqueira durante o programa WW, da CNN Brasil, e confirmada por fonte ouvida pela Gazeta do Povo.
Pedro Wongtschowski, ex-presidente da Ultrapar e atual presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp — um dos articuladores do manifesto —, afirmou não ter tido conhecimento de episódios dessa natureza. A assessoria do STF também disse desconhecer o caso. Wongtschowski confirmou, ainda, que o grupo pretende dar continuidade às discussões e se reunirá após o resultado de sessão realizada nesta terça-feira (15) na Corte.
Signatários têm ações em tramitação no Supremo
Entre os 157 empresários e representantes de empresas que assinaram o documento, há vários com recursos e reclamações em andamento no STF, em temas que abrangem relações trabalhistas, terceirização e disputas tributárias. Um dos casos mais diretos é o do ex-presidente do Itaú Unibanco Cândido Bracher, cujo banco figura em processos sob relatoria de ministros que estão no centro da atual crise da Corte.
O Magazine Luiza, ligado a Luiza Helena Trajano e ao CEO Frederico Trajano, também figura entre os expostos. Em julho deste ano, a rede varejista teve reclamações distribuídas no STF para diferentes relatores — uma delas atribuída ao ministro Gilmar Mendes e outra ao ministro Cristiano Zanin. Os processos envolvem decisões da Justiça do Trabalho.
Empresas de diversos setores estão na mira
A mineradora Vale, associada ao ex-presidente Eduardo Bartolomeo, também possui reclamações no Supremo relacionadas a disputas trabalhistas sobre terceirização. Em abril de 2026, a companhia teve nova reclamação distribuída, desta vez sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
No setor de plataformas digitais, a situação é ainda mais sensível. O CEO do iFood, Diego Barreto, um dos signatários do manifesto, já participou pessoalmente de audiência pública no STF que debatia o vínculo empregatício entre aplicativos de entrega e seus trabalhadores — tema diretamente relacionado ao modelo de negócios da empresa.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



