Serranópolis do Iguaçu, cidade de aproximadamente 5 mil habitantes no Oeste do Paraná, não conta mais com agências bancárias tradicionais há três anos. No lugar delas, três cooperativas de crédito — Sicredi, Cresol e LarCredi — mantêm atendimento presencial e dividem a mesma avenida no centro do município. A LarCredi foi a mais recente a chegar, abrindo sua unidade em 2021, quando boa parte das transações financeiras já podia ser resolvida pelo celular.

Expansão nacional das cooperativas

O caso de Serranópolis do Iguaçu ilustra uma tendência que se repete em todo o país. Segundo dados do Banco Central compilados pelo AnuárioCoop 2026, as cooperativas de crédito estão presentes em 59% dos municípios brasileiros. Em 1.072 cidades, elas representam a única instituição financeira com funcionamento regular. Nos últimos seis anos, o número de cooperados cresceu 115%, chegando a 22,95 milhões de pessoas em 2025. Os ativos totais do setor ultrapassaram R$ 1,15 trilhão, e a carteira líquida de crédito alcançou R$ 516 bilhões.

Para Fabíola Nader Motta, superintendente do Sistema OCB, o avanço do setor está ligado a três fatores principais: a atualização da legislação, o reconhecimento das cooperativas pelo Banco Central como instrumento de inclusão financeira e a ampliação do portfólio de produtos e serviços oferecidos. Ela destaca que o modelo cooperativista faz com que os recursos permaneçam nas próprias comunidades, beneficiando famílias, produtores rurais e pequenos empreendedores.

Economia local impulsiona as cooperativas em Serranópolis

A base econômica de Serranópolis do Iguaçu sustenta a operação das três cooperativas. O município tem 15,3 mil hectares cultivados com soja, milho e trigo, além de produção de suínos, aves e peixes. O PIB per capita chegou a R$ 54,4 mil em 2023, valor ligeiramente acima da média nacional, segundo o IBGE.

O Sicredi, que atua no município há cerca de 25 anos, mantém relacionamento com mais de 4 mil pessoas, sendo 3,2 mil delas associadas, e soma mais de R$ 350 milhões em ativos totais. A Cresol, com 16 anos de presença local, reúne aproximadamente 1,1 mil cooperados e administra R$ 52,5 milhões em ativos. Já a LarCredi, a mais nova das três, conta com 733 associados e cerca de R$ 19,1 milhões sob gestão.

Cleiton Giovany Brambilla, gerente da Cresol local, observa que é comum moradores manterem vínculo com mais de uma cooperativa e também utilizarem contas bancárias digitais de forma paralela.

Presença exclusiva em pequenas cidades

Entre os municípios onde o Sicredi é a única instituição financeira com atendimento presencial — 236 no total —, 162 têm população de até 5 mil habitantes. Na Cresol, a exclusividade se repete em oito cidades distribuídas por cinco estados, todas de pequeno porte, com média entre 5 mil e 7 mil moradores.

O Sistema Ailos, por sua vez, ampliou sua presença física para 158 municípios em oito estados, dez deles sem qualquer agência bancária física oficial. Para Luciana Brick Pereira, diretora de Negócios do sistema, a estratégia combina expansão presencial e investimento em tecnologia, sem abrir mão de nenhum dos dois caminhos. A entrada no Paraná começou há cerca de seis anos.

Agências se transformam: menos guichês, mais relacionamento

O modelo de atendimento das cooperativas também vem mudando. Guichês e terminais convencionais cedem lugar a salas de negócios e ambientes mais abertos, enquanto operações rotineiras migram para aplicativos. A agência do Sicredi em Serranópolis do Iguaçu, com 600 metros quadrados, aposta em sofás dispostos em formato aberto e espaço para café — sinais de que o encontro presencial deixou de ser apenas transacional.

Liza Thomazoni De Luca, gerente da unidade local do Sicredi, afirma que os associados têm à disposição todos os recursos digitais, mas demonstram preferência pelo atendimento presencial. A relação vai além das paredes da agência: as cooperativas patrocinam festas comunitárias do interior, futebol amador e campeonatos de bocha.

Crédito com proximidade, mas sem abrir mão dos critérios

A análise de crédito também se beneficia da proximidade. Conhecer a propriedade, a atividade ou o negócio do associado permite que as cooperativas avaliem não só a capacidade de pagamento, mas também a adequação do investimento ao momento vivido pelo cooperado. Ainda assim, segundo Fabíola Nader Motta, da OCB, o conhecimento da realidade local complementa — mas não substitui — os critérios técnicos e sistematizados de concessão de crédito e análise de risco.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.