O governo norte-americano divulgou, nesta quarta-feira (21), planos para a instalação de um centro de dados dedicado à inteligência artificial em território paraguaio, com fornecimento de energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu — administrada em regime binacional pelo Paraguai e pelo Brasil.

A iniciativa ficará a cargo da empresa americana Crusoe, especializada em infraestrutura para IA, em conjunto com a paraguaia Araico, que atua nos setores de energia e infraestrutura. A previsão é que as operações se iniciem em meados de 2027, atendendo clientes que utilizam computação em nuvem tanto nos Estados Unidos quanto na América Latina.

O anúncio foi feito durante a visita do vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, à capital paraguaia Assunção, onde se reuniu com o presidente Santiago Peña e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano. O Departamento de Estado classificou o empreendimento como potencialmente "um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai", sem revelar o montante financeiro envolvido nem a quantidade de megawatts que serão consumidos pela instalação. O governo brasileiro não foi mencionado no comunicado oficial americano.

Além do data center, os EUA anunciaram acordos de cooperação com o Paraguai nas áreas de mineração, segurança e energia nuclear.

O que está em jogo para o Paraná

O ponto central de atenção para o estado diz respeito à negociação das regras de comercialização da energia de Itaipu. O tratado que rege a usina garante a cada país metade da produção gerada, com a possibilidade de o outro adquirir a parcela não utilizada pelo vizinho. No contexto da renegociação do Anexo C do tratado, o Paraguai busca ampliar sua autonomia para vender livremente sua cota de eletricidade.

Se parte da energia que historicamente era repassada ao Brasil passar a abastecer grandes instalações em solo paraguaio, como o centro de dados em questão, o volume disponível para o sistema elétrico brasileiro poderá ser afetado. A extensão desse impacto, no entanto, dependerá das condições contratuais e do volume efetivamente contratado.

Esse cenário também tem implicações para a indústria paranaense. Uma eventual redução na oferta de energia proveniente de Itaipu poderia elevar custos, caso o sistema elétrico nacional precise recorrer a fontes de geração mais caras para compensar a diferença, a depender das condições de oferta e demanda no período.

Royalties aos municípios não são afetados diretamente

Outro aspecto monitorado envolve os repasses de royalties de Itaipu aos municípios paranaenses lindeiros ao lago e ao próprio estado. Esses valores compensam os impactos territoriais causados pela formação do reservatório e seguem critérios específicos de geração e compensação.

O anúncio do data center, por si só, não implica redução nos royalties recebidos pelas cidades. Eventual alteração nos valores dependeria de mudanças nas regras do tratado, nos parâmetros de geração ou nos critérios que determinam os pagamentos — algo que não foi anunciado até o momento.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.