A UniCesumar, universidade sediada em Maringá, no Noroeste do Paraná, concluiu a apuração interna sobre a circulação de mensagens discriminatórias em um grupo de WhatsApp formado por estudantes do curso de Medicina e decidiu pelo desligamento dos alunos considerados mais diretamente responsáveis. O resultado da sindicância foi divulgado no último sábado. Outros envolvidos receberam suspensão ou advertência, conforme o grau de participação de cada um.
As mensagens vieram à tona no domingo da semana anterior, logo após a confirmação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que deu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos registros do grupo, estudantes que acessaram a universidade por meio de programas de inclusão — como o Programa Universidade para Todos (ProUni) — foram alvo de comentários preconceituosos. A investigação da própria instituição identificou ainda referências ao nazismo entre o material compartilhado.
Os conteúdos denunciados incluíam declarações que atribuíam uma suposta superioridade aos alunos pagantes em relação àqueles que estudam com apoio de bolsas públicas. A repercussão do episódio gerou denúncias formais e levou a UniCesumar a instaurar a sindicância para identificar os autores e responsáveis pela propagação do material.
Sindicância e punições
A comissão encarregada da investigação encerrou seus trabalhos na sexta-feira e encaminhou recomendações disciplinares à reitoria, que as aprovou em conformidade com o regimento interno da instituição. As penalidades foram graduadas de acordo com a gravidade da conduta de cada estudante.
A universidade não revelou o número exato de alunos expulsos, suspensos ou advertidos. Em nota, a instituição afirmou que repudia qualquer forma de discriminação e informou que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) permanece disponível para acolher e orientar os universitários afetados pelo episódio.
Ministério Público Federal e CRM-PR investigam o caso
O Ministério Público Federal (MPF) confirmou o recebimento de uma representação sobre as mensagens e abriu apuração independente das punições já aplicadas pela universidade.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se posicionou sobre o episódio, classificando as condutas como incompatíveis com os princípios éticos que fundamentam a formação médica. O órgão destacou que o exercício da Medicina exige respeito irrestrito à dignidade humana e atendimento sem qualquer forma de discriminação, e comunicou que acompanhará os desdobramentos do caso para adotar as medidas pertinentes às suas atribuições.
Clima de tensão no ambiente acadêmico
O episódio gerou reflexos no cotidiano da instituição. De acordo com o relato de um estudante, tanto os alunos apontados como autores das ofensas quanto aqueles que foram diretamente atingidos pelos comentários passaram a faltar às aulas desde que o caso ganhou visibilidade. O universitário descreveu um ambiente de hostilidade que vai além de divergências políticas.
A UniCesumar não se manifestou sobre a possibilidade de novas medidas disciplinares relacionadas ao caso. A investigação do MPF segue seu curso de forma autônoma em relação às sanções administrativas já adotadas pela universidade.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



