O crédito ficou mais caro para as famílias brasileiras em agosto. A taxa média de juros nas operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano no mês, representando uma elevação de 1,4 ponto percentual em relação a julho e de 2,9 pontos na comparação com o mesmo mês de 2023. Os números foram divulgados na última terça-feira (29) pelo Banco Central, por meio do relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito.
Cartão de crédito lidera pressão sobre os juros
As principais responsáveis pelo avanço das taxas foram as modalidades de cartão de crédito rotativo e cartão parcelado. Essas linhas, conhecidas por cobrar encargos elevados, pesaram significativamente sobre o indicador geral de juros para as famílias.
No mesmo período, a inadimplência das famílias avançou para 6% — alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,1 ponto em relação a agosto do ano anterior, sinalizando maior dificuldade de uma parcela dos consumidores em honrar seus compromissos financeiros.
Endividamento e comprometimento de renda crescem
O endividamento das famílias atingiu 49,9% em julho, com crescimento de 0,2 ponto em relação ao mês anterior e de 1,1 ponto em doze meses. Já a fatia da renda comprometida com o pagamento de dívidas ficou em 28,7%, estável na comparação mensal, mas 1,4 ponto acima do nível registrado um ano antes.
Crédito continua crescendo apesar dos juros altos
Mesmo diante do ambiente de juros elevados, o volume de crédito contratado pelas famílias seguiu em expansão. O saldo das operações de crédito livre para pessoas físicas somou R$ 2,6 trilhões em agosto, com crescimento de 0,8% no mês e de 10,5% em doze meses. Os destaques foram o financiamento de veículos, o cartão de crédito rotativo e o crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
Empresas têm queda nos juros
Para as empresas, o cenário foi distinto. A taxa média de juros nas operações livres recuou para 24,2% ao ano em agosto, com redução de 1 ponto percentual no mês e de 0,7 ponto em doze meses. O saldo das operações livres para o segmento corporativo totalizou R$ 1,6 trilhão, com leve retração de 0,6% no mês, embora com alta de 0,5% no acumulado de um ano.
Crédito total supera R$ 7,4 trilhões
Considerando famílias e empresas em conjunto, a taxa média de juros das operações com recursos livres ficou em 48,5% ao ano em agosto, com acréscimo de 0,8 ponto no mês e de 2,3 pontos em doze meses. O saldo total da carteira de crédito livre chegou a R$ 4,1 trilhões, com expansão de 0,2% no mês e de 6,5% em um ano. Já o saldo total do crédito do Sistema Financeiro Nacional alcançou R$ 7,4 trilhões, com alta de 0,5% no mês e de 9,2% em doze meses.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



