A paralisação nos hospitais Vita BR, localizado no Bairro Alto, e Vita Batel, em Curitiba, completou três dias neste sábado (17) sem que houvesse perspectiva de retomada. Aproximadamente 200 trabalhadores aderiram ao movimento, deflagrado na quinta-feira (15) em razão de atrasos no pagamento de salários e benefícios do mês de setembro. A previsão é de que a greve se estenda ao menos até terça-feira (20).
Os funcionários exigem a quitação de salários, vale-alimentação, vale-transporte e demais verbas trabalhistas. Representantes sindicais afirmam que os atrasos se repetem há cerca de cinco meses, o que é contestado pela administração dos hospitais.
O estopim da paralisação foi o descumprimento de um acordo firmado em 9 de outubro, quando a direção das unidades se comprometeu com os sindicatos a regularizar os pagamentos até a quarta-feira (14). Os trabalhadores chegaram a adiar o início do movimento aguardando o cumprimento da promessa, mas decidiram cruzar os braços depois que o prazo passou sem que os valores fossem depositados.
A mobilização é coordenada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc), em parceria com o Sindicato dos Técnicos em Radiologia do Paraná (Sinterpar).
Audiência no TRT não resolve impasse, mas assegura garantias aos grevistas
Uma sessão de mediação realizada na tarde de sexta-feira (16) no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR) encerrou sem a liberação imediata dos recursos. Ainda assim, representantes dos trabalhadores saíram do encontro com algumas conquistas negociadas.
O diretor-tesoureiro do Sindesc, Natanael Martini, informou que a categoria decidiu manter a greve até que todos os valores pendentes sejam efetivamente pagos. Ele explicou que os hospitais aguardam o repasse de recursos da Unimed para honrar os compromissos financeiros com os funcionários, mas que ainda não há certeza sobre essa transferência.
Entre os pontos acertados na audiência, ficou definido que os dias de paralisação não serão descontados dos salários e que os participantes do movimento não estarão sujeitos a punições. Além disso, foi estabelecido o prazo de terça-feira (20) para a regularização dos pagamentos, com correção dos valores devidos e acréscimo de um abono de R$ 300 pelo atraso.
Uma nova audiência está agendada para terça-feira (20), às 10h, no TRT-PR, para tratar de outras questões relacionadas às condições de trabalho nas duas unidades.
Serviços essenciais são preservados durante a greve
Os sindicatos estabeleceram regras para garantir a continuidade do atendimento aos pacientes durante a paralisação. Nas UTIs, pronto-socorros e setores de urgência e emergência, a determinação é manter 100% dos profissionais em atividade. Nas demais áreas, o protocolo exige a presença de pelo menos 30% das equipes.
A administração dos hospitais também afirmou ter ativado um plano de contingência para assegurar a assistência nas duas unidades ao longo do período de greve.
Hospitais atribuem atrasos à implantação de novo sistema de gestão
Em nota, os hospitais Vita alegaram que as dificuldades nos pagamentos decorrem da adoção de um novo sistema de gestão hospitalar, que teria gerado entraves temporários nos processos administrativos e financeiros. A instituição classificou o problema como pontual e afirmou que normalizar os compromissos com os funcionários é prioridade.
Os representantes dos trabalhadores, no entanto, rejeitam essa explicação, argumentando que os atrasos são recorrentes e não se justificam por uma mudança de sistema. Em comunicado divulgado na manhã deste sábado (17), os Hospitais Vita reafirmaram que seguem em negociação com os sindicatos e que o plano de contingência permanece ativo para preservar a segurança dos pacientes.
A continuidade ou o encerramento da greve depende do efetivo depósito dos salários e benefícios atrasados até o prazo acordado de terça-feira (20).
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



