O Paraná chegou a um marco inédito em mais de um ano: nenhuma área do estado apresenta qualquer nível de escassez hídrica. A conclusão consta na atualização do Monitor de Secas divulgada na quarta-feira (16), elaborada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em parceria com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O resultado foi possível graças a volumes de precipitação acima da média climatológica registrados ao longo de agosto, que extinguiram o último núcleo de seca fraca, localizado no Leste do estado.
A recuperação do Leste encerra uma sequência de seca que se estendia há mais de doze meses naquela região. O recuo gradual das condições de escassez já vinha sendo apontado pelo Monitor desde maio de 2026, quando áreas classificadas com seca moderada e fraca começaram a diminuir progressivamente no Oeste, Sudoeste, Sul e Campos Gerais do Paraná.
Frentes frias atípicas impulsionaram a recuperação
De acordo com o Simepar, dois sistemas de frente fria com comportamento atípico foram determinantes para a normalização hídrica do estado. As passagens desses sistemas geraram acumulados superiores a 100 milímetros (mm) em menos de 24 horas no extremo Sul do Paraná. O impacto foi amplo: das 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de funcionamento, 44 registraram chuvas acima da média esperada para o mês de agosto. As únicas exceções foram as estações de Cianorte, Maringá e Apucarana.
Três municípios se destacaram pelo volume de chuva acumulado: Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e Palmas (no distrito de Horizonte) atingiram os maiores totais já registrados para um mês de agosto desde que suas respectivas estações meteorológicas entraram em operação.
Contraste entre o Sul e o restante do Brasil
A situação favorável do Paraná reflete o cenário de toda a Região Sul, que atualmente não registra nenhum ponto de seca. Esse quadro é influenciado pelo fenômeno El Niño, que eleva a umidade e as temperaturas nas regiões mais ao sul do país, contribuindo também para a redução da seca no sul do Mato Grosso do Sul, em Goiás e em partes de São Paulo e do Rio de Janeiro.
O panorama sulista, porém, é oposto ao que se observa em grande parte do território nacional. O mesmo El Niño que beneficia o Sul provoca escassez de chuvas e temperaturas elevadas em outros estados. O Monitor de Secas identificou avanço ou agravamento das condições de seca em diversas unidades federativas do Norte e Nordeste — entre elas Amazonas, Pará, Ceará, Bahia e Pernambuco —, além do Distrito Federal e de regiões do Sudeste, como Minas Gerais e Espírito Santo.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



