Logo após a confirmação do resultado das eleições presidenciais, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema FAEP) divulgou nota oficial manifestando suas expectativas em relação ao governo que se inicia. A entidade pediu atenção prioritária às demandas do setor agropecuário, que enfrenta uma combinação de endividamento elevado, custos crescentes, problemas climáticos e dificuldades operacionais.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que há diversas pautas importantes represadas e que necessitam de tratamento criterioso. Entre os pontos citados estão a elaboração de um plano safra mais eficiente, a ampliação do seguro rural e a renegociação das dívidas dos produtores rurais brasileiros. "Esperamos que o presidente eleito tenha a consciência da importância desse setor para toda a economia paranaense e nacional", afirmou o dirigente.
Paraná com produção recorde, mas inadimplência preocupa
O agronegócio paranaense registrou desempenho expressivo nos últimos anos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em setembro, o Paraná ocupa a quarta posição no país em Valor da Produção Agrícola, com R$ 87,7 bilhões e participação de 9,5% do total nacional em 2025 — crescimento de 21,9% ante 2024.
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do estado atingiu R$ 213 bilhões em 2025, o maior resultado já registrado, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) consolidado pelo Departamento de Economia Rural (Deral). O número representa crescimento nominal de 13% em relação ao ano anterior e avanço real de 9% após descontada a inflação, indicando aumento efetivo de riqueza gerada no campo.
Apesar do bom desempenho produtivo, o endividamento do setor é motivo de preocupação. Levantamento do Serasa Experian, divulgado em julho, apontou que a inadimplência entre produtores rurais brasileiros chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026 — o maior índice da série histórica, com alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
Meneguette ressaltou os múltiplos fatores que pressionam os produtores: "Todo mundo está muito endividado com essa complexidade e a diversidade que acontece no nosso país e no mundo. É o problema climático, é o aumento de custos, é a falta de óleo diesel para nós podermos atender as nossas atividades."
Documento com propostas ao novo governo
Durante o período eleitoral, o Sistema FAEP elaborou, em conjunto com 163 sindicatos rurais do estado, um conjunto de propostas baseadas em diagnósticos feitos diretamente nas propriedades rurais paranaenses. O objetivo é apontar caminhos para recuperar a rentabilidade do setor e garantir segurança jurídica no campo.
As proposições estão organizadas em 15 pautas técnicas e 7 eixos jurídicos. Entre os principais pontos técnicos, destacam-se:
- Crédito e seguro rural: Criação de política permanente para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e para o Plano Safra, com mecanismos contínuos de renegociação de dívidas e equalização de juros.
- Redução da dependência de insumos importados: Incentivo à produção nacional de fertilizantes — atualmente, 80% são importados — além de modernização da infraestrutura de energia elétrica e expansão da internet no campo.
- Reorganização ministerial: Proposta de unificação dos ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, da Pesca e do Meio Ambiente em uma única pasta.
- Abertura de mercados: Ações diplomáticas para derrubada de barreiras sanitárias e diversificação das exportações para mercados na Ásia, África e Oriente Médio.
- Agências reguladoras e tributação: Fim do contingenciamento orçamentário em órgãos fiscalizadores, como a ANEEL, e revisão das regras do Imposto Territorial Rural (ITR) para corrigir distorções na cobrança municipal.
- Segurança e educação rural: Implementação de programa nacional de patrulhamento no campo e atualização das grades curriculares do ensino agrícola técnico e superior, incorporando automação, inteligência artificial e agricultura de precisão.
No campo jurídico, as propostas incluem a criação de um marco legal para evitar limitações administrativas sem compensação prévia, revisão de embargos coletivos vinculados ao sistema PRODES e mudanças nas regras de contratação temporária de trabalhadores durante os períodos de safra.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



