O Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná, deu um passo histórico na manhã deste domingo (11) ao concluir a primeira conexão entre o complexo Moegão e um terminal privado. O ponto escolhido foi o terminal da ALTP — consórcio integrado pelas empresas Louis Dreyfus Company e Amaggi —, responsável pelo berço PAR 25. Para viabilizar a operação, foi necessário interditar a Avenida Portuária durante o período dos trabalhos.
A peça conectada mede 55 metros de comprimento e pesa aproximadamente 35 toneladas. Seu içamento exigiu o uso de um superguindaste e demandou cerca de duas horas de trabalho, com dezenas de profissionais envolvidos. Ao término da operação, a estrutura passou a integrar a galeria central do Moegão, que se estende por 1,7 quilômetro e conta com 4 mil metros de correias transportadoras. Esse sistema conduz os produtos descarregados dos vagões diretamente até os terminais de embarque.
A maior obra portuária pública do país
O Moegão é apontado pelo governo estadual como a maior obra pública em andamento no setor portuário brasileiro, com investimento estimado em R$ 700 milhões. O projeto apresenta características inéditas de engenharia ao reunir, em um único local, o recebimento de granéis vegetais trazidos por trem para posterior embarque em navios — eliminando a fragmentação das operações que hoje ocorre no porto.
Capacidade de recebimento de grãos deve crescer quatro vezes
Quando estiver plenamente operacional, o complexo tem potencial para transformar a logística ferroviária do porto. O volume anual de grãos e farelos recebidos por trem deve saltar dos atuais 5 milhões de toneladas para até 24 milhões de toneladas — um crescimento de quase cinco vezes em relação ao patamar atual.
O Moegão contará com três linhas férreas independentes, com capacidade para receber até 180 vagões simultaneamente. Cada linha poderá descarregar três vagões ao mesmo tempo, permitindo que até 900 vagões sejam processados por dia. O número representa um acréscimo de 63% sobre a capacidade atual, de 550 vagões diários.
Menos interrupções no trânsito urbano
Hoje, os composições ferroviárias precisam ser manobradas até cada terminal individualmente, o que gera interrupções no trânsito das ruas do entorno portuário por períodos que podem chegar a 40 minutos. Com a centralização das operações no Moegão, essa dinâmica vai mudar.
O número de cruzamentos entre trilhos e vias urbanas será reduzido de 16 para apenas cinco pontos. As paradas no trânsito passarão a ocorrer somente durante a passagem dos trens, com duração estimada entre 10 e 15 minutos — uma melhora significativa para a mobilidade da região portuária de Paranaguá.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



