Uma interrupção prolongada no fornecimento de energia elétrica devastou uma piscicultura no município de São João do Ivaí, no norte do Paraná, no início de outubro. O incidente resultou na morte de aproximadamente 450 mil peixes, totalizando 230 toneladas de produção perdida.
Produtor perde seis meses de trabalho
O piscicultor Edilson Pini ficou 23 horas consecutivas sem energia, o que comprometeu todo o ciclo produtivo que estava em andamento. A produção afetada seria comercializada ao longo de quatro meses para atender contratos já firmados com compradores, os quais agora correm risco de não serem cumpridos.
Os problemas tiveram início no final de setembro, quando a energia caiu por volta das 14h e passou a apresentar oscilações. O gerador de emergência foi acionado, mas às 20h do mesmo dia o equipamento apresentou uma pane. O conserto do gerador custou cerca de R$ 200 mil.
Durante a madrugada, o próprio produtor, sua esposa e dois funcionários tentaram manter os animais vivos por meio de procedimentos manuais. Mesmo assim, não foi possível evitar a mortandade em massa. A energia só foi restabelecida na manhã seguinte.
Pini fornecia pescado semanalmente para a merenda escolar de 22 municípios paranaenses, além de abastecer instituições como o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, o Sesc e o Senac. O produtor pede ressarcimento à Copel para conseguir retomar as atividades.
Oscilações também afetam produtores em Marechal Cândido Rondon
No oeste do estado, piscicultores de Marechal Cândido Rondon relatam problema semelhante. Segundo Edio Chapla, presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema Faep e do Sindicato Rural local, são frequentes episódios de queda de tensão no fim da tarde, sem interrupção total do fornecimento.
Esse tipo de oscilação é especialmente prejudicial porque impede a entrada automática dos geradores de emergência. Ao mesmo tempo, as chaves de proteção trifásica bloqueiam o acionamento dos aeradores — equipamentos essenciais para manter a água dos tanques oxigenada —, a fim de evitar que os motores sejam danificados pela tensão irregular.
Chapla aponta que o custo com energia elétrica já representa 55% das despesas de um lote de peixes, pressionando fortemente as margens do setor.
Setor cobra providências da Copel
O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta que a piscicultura é uma atividade altamente dependente de fornecimento elétrico estável, pois os aeradores são indispensáveis para manter a oxigenação dos tanques. Sem energia, os peixes morrem em questão de horas. Para ele, é urgente que a Copel apresente soluções voltadas ao meio rural.
O Paraná é o maior produtor de tilápia do Brasil. De acordo com o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, elaborado pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), o estado produziu mais de 273 mil toneladas em 2025 e foi responsável pela metade de todas as exportações brasileiras de pescado no período.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



