O Paraná abriga atualmente 2,57 milhões de jovens pertencentes à chamada Geração Z — faixa etária que representa entre 21% e 22% da população estadual, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, 14,5% não exercem atividade profissional nem frequentam instituições de ensino, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) consolidados até o fim de 2025.
O índice coloca o Paraná entre os estados com menor proporção de jovens nessa situação — popularmente chamados de "nem-nens" — e abaixo da média nacional, que é de 17,5% para a população de 15 a 29 anos. Em números absolutos, cerca de 374 mil jovens paranaenses estão nessa condição, uma redução de aproximadamente 100 mil pessoas desde 2019.
Como os jovens paranaenses estão distribuídos
Os dados do IBGE mostram que a maior parte dos jovens do estado está inserida no mercado de trabalho ou no ambiente escolar. Veja a distribuição:
- Apenas trabalham: cerca de 1,25 milhão de jovens (49% do total)
- Apenas estudam: aproximadamente 520 mil (20%)
- Estudam e trabalham ao mesmo tempo: cerca de 422 mil (16%)
- Não estudam nem trabalham: aproximadamente 374 mil (14,5%)
Para a diretora de Fomento e Renda da Secretaria de Estado do Trabalho, Qualificação e Renda (SETR), Suelen Glinski Rosa, o desempenho do Paraná está diretamente relacionado ao dinamismo do mercado de trabalho local. O estado registra uma das menores taxas de desocupação do país — atualmente em torno de 3%, nível que os economistas classificam como pleno emprego, situação em que a oferta de vagas supera a quantidade de pessoas em busca de colocação.
Fábio Terra, gestor e especialista educacional na organização GERAR, em Curitiba, acrescenta que parte dos jovens classificados como "nem-nens" se afastou da escola por pressões pessoais ou familiares. Segundo ele, programas de aprendizagem profissional voltados à faixa de 18 a 24 anos têm funcionado como porta de entrada para que esses jovens retomem os estudos, já que a participação nos programas exige matrícula ativa em instituição de ensino.
Em que setores os jovens trabalham
No primeiro semestre de 2026, dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontavam que 74,9 mil jovens paranaenses tinham empregos formais com carteira assinada, enquanto 49,5 mil atuavam como estagiários e 27,7 mil como jovens aprendizes. No mesmo período, o Sistema Nacional de Emprego do Paraná (Sine Paraná) registrou 61.016 colocações de pessoas entre 14 e 29 anos.
Os segmentos que mais empregaram jovens foram a indústria de transformação, o comércio varejista e as áreas de apoio administrativo e logístico. Na indústria, a função de alimentador de linha de produção liderou as contratações, com 22.505 vagas preenchidas.
Surpreendentemente, o município que mais emprega jovens por meio das Agências do Trabalhador no Paraná não é a capital Curitiba, mas sim Cascavel, no Oeste do estado, impulsionada pelo setor de agroindústria e pelos frigoríficos da região.
Suelen Rosa destaca que a indústria atrai trabalhadores por oferecer remuneração mais elevada em comparação a outros setores, o que gera um efeito positivo em cadeia sobre o comércio e os serviços locais. No entanto, Fábio Terra observa que, para a Geração Z, o salário não é o único critério na hora de escolher um emprego: qualidade de vida, flexibilidade e bem-estar também pesam na decisão.
Qualificação profissional como estratégia
Para manter os jovens conectados ao mercado de trabalho a longo prazo, empresas e governo têm apostado no conceito de lifelong learning — o aprendizado contínuo ao longo da vida profissional. No Paraná, o governo estadual mantém, em parceria com o Sistema S, um programa de cursos técnicos de 96 horas distribuídos por todos os municípios paranaenses.
Para reduzir a evasão entre jovens em situação de vulnerabilidade econômica, o Estado oferece uma bolsa-auxílio de R$ 1.008 ao término da formação, destinada a cobrir despesas com transporte e alimentação. Segundo a diretora da SETR, o formato presencial dos cursos — que muitas vezes envolve deslocamento ou imersão fora da cidade de origem — tende a atrair especialmente o público jovem, que costuma ter maior mobilidade e disponibilidade para esse tipo de experiência.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



