Os hospitais Vita Batel e Vita BR, localizados em Curitiba, declararam na última quinta-feira (22) que estão aguardando a aprovação, pela Justiça do Trabalho, de um acordo celebrado com o sindicato representante dos trabalhadores. Segundo a direção das unidades, a aprovação é necessária para que os pagamentos de salários e benefícios referentes ao mês de setembro possam ser efetivados, respeitando os prazos bancários. A minuta do acordo já foi protocolada na Justiça.

Em comunicado, a direção das instituições reafirmou o compromisso com a resolução do impasse: "A Direção dos Hospitais Vita permanece empenhada na conclusão do processo com a maior brevidade possível, em cumprimento às condições estabelecidas no acordo."

A greve dos funcionários teve início na quinta-feira anterior, dia 15, e envolve aproximadamente 200 trabalhadores. A paralisação foi motivada pelo não pagamento de salários e benefícios no prazo previsto.

CRM-PR emite alerta formal e ameaça interdição ética

A crise nos hospitais Vita também chamou a atenção do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), que aprovou um indicativo de interdição ética das duas unidades. A medida concede um prazo de 30 dias para que os problemas identificados em fiscalizações recentes sejam corrigidos.

O indicativo de interdição ética não representa o fechamento imediato dos hospitais, mas funciona como um aviso formal e severo, exigindo que a administração adote providências concretas. O CRM-PR informou que acompanha a situação das duas unidades desde junho, por meio do Departamento de Fiscalização do Exercício Profissional (Defep).

Entre as irregularidades apontadas pelo conselho estão:

  • Falhas e defeitos em equipamentos hospitalares;
  • Lacunas nas escalas médicas, com postos sem cobertura;
  • Instabilidade na prestação de serviços de saúde, agravada pela greve dos funcionários.

De acordo com o conselho, esses fatores "comprometem as condições necessárias para o exercício seguro da Medicina e aumentam o risco de eventos adversos". O conselheiro gestor do Defep, Carlos Felipe Tapia Carreño, destacou que as tratativas com a instituição não resultaram em avanços suficientes: "Apesar das diversas conversas com os responsáveis pela instituição junto a esta autarquia, os resultados e melhorias não foram minimamente atingidos."

Sindipar aponta crise estrutural nos hospitais privados do Paraná

O Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar) se manifestou sobre o caso e afirmou que as dificuldades enfrentadas pelos hospitais Vita não são uma situação isolada. Para a entidade, os problemas financeiros da rede refletem um desequilíbrio econômico mais amplo que afeta o setor privado de saúde em todo o estado.

O sindicato apontou como causas estruturais do problema a defasagem nas tabelas de remuneração dos planos de saúde, os atrasos nos repasses, as glosas — cobranças contestadas pelas operadoras — e o crescimento contínuo dos custos operacionais. Segundo a entidade, esse conjunto de fatores coloca em risco a sustentabilidade financeira dos hospitais privados, ameaçando empregos, investimentos e a oferta de serviços essenciais à população.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.