Os funcionários dos hospitais Vita BR e Vita Batel, em Curitiba, optaram por dar continuidade à greve iniciada em 15 de maio, conforme deliberação em assembleia realizada na terça-feira (20) e confirmada na quarta-feira (21). A paralisação reúne aproximadamente 200 trabalhadores e tem como origem o não pagamento de salários e benefícios referentes ao mês de setembro.

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc) informou que havia expectativa de que os valores fossem quitados na própria terça-feira, o que não ocorreu. Diante disso, a Justiça concedeu uma liminar de arresto, medida que permite o bloqueio de recursos que ingressem na conta da instituição para assegurar o pagamento dos colaboradores.

A empresa apresentou como proposta o parcelamento das verbas rescisórias devidas aos empregados que desejam encerrar o vínculo com o Vita Batel, alegando restrições financeiras. A negociação, porém, ainda não chegou a um desfecho, e a greve seguia em vigor até a última atualização desta reportagem.

Setor hospitalar privado alerta para crise estrutural

O Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar) avalia que os problemas enfrentados pelo grupo Vita não são um caso isolado, mas reflexo de um desequilíbrio financeiro que afeta toda a rede hospitalar privada do estado. Em nota divulgada na terça-feira (20), a entidade listou os principais fatores que contribuem para o aperto de caixa das instituições:

  • Defasagem nas tabelas de remuneração pagas pelas operadoras de planos de saúde;
  • Atrasos nos repasses, com prazo médio superior a 78 dias;
  • Elevação no volume de glosas — recusas de pagamento por procedimentos realizados;
  • Aumento contínuo dos custos operacionais;
  • Impacto do piso nacional da enfermagem, que acrescentou cerca de R$ 500 milhões nas despesas dos hospitais paranaenses.

O Sindipar destacou ainda uma assimetria significativa: enquanto a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou reajuste de 6,06% nos planos de saúde individuais para 2025, a inflação médica do setor variou entre 13% e 15% no mesmo período. Em paralelo, as operadoras de planos registraram lucro de R$ 11,1 bilhões em 2024, ao passo que a margem de faturamento dos hospitais recuou aproximadamente 40%.

O presidente do Sindipar, Álvaro Quintas, cobrou medidas urgentes e diálogo entre operadoras, governo e hospitais. "Quando um hospital enfrenta dificuldades para manter suas operações, os impactos atingem toda a cadeia. Precisamos garantir condições para que as instituições consigam honrar seus compromissos e manter seus trabalhadores", afirmou. Quintas acrescentou que o endividamento cresce à medida que os recursos demoram a entrar, comprometendo tanto a sustentabilidade financeira quanto a segurança assistencial e os empregos no setor.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.