Nenhum dos nomes apoiados pelo governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) para sucedê-lo no comando do Paraná saiu vitorioso das eleições de 2026. O deputado federal Sandro Alex (PSD), escolhido para disputar o governo estadual, e os candidatos ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD) — além de Rafael Greca (MDB), que compunha a chapa como vice de Sandro Alex — foram todos derrotados.

O grande vencedor da disputa foi Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná já no primeiro turno. As duas vagas ao Senado ficaram com Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). O resultado surpreende diante da alta aprovação do governo estadual, que registrava 79% de satisfação entre os eleitores.

Dois fatores explicam o fracasso

Para analistas políticos, dois elementos centrais ajudam a compreender a derrota dos candidatos governistas: a demora na definição do nome para a sucessão e o avanço do PL no cenário nacional. O jornalista e economista João Zisman, colunista da Tribuna do Paraná, destaca que os dois fatores tiveram pesos distintos na disputa.

Segundo Zisman, Moro não era apenas um adversário político comum. "A disputa com Sergio Moro não foi contra um candidato. Seria, para qualquer nome escolhido, um enfrentamento com uma verdadeira instituição. Tanto Moro quanto Dallagnol fizeram de Curitiba a sede do país durante alguns anos por causa da Lava Jato", afirmou.

O cientista político Mario Sérgio Lepre, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), aponta que houve falha na conversão da popularidade do governo em votos para o candidato da situação. "É um governo muito bem avaliado e, via de regra, governos bem avaliados têm muitas cartas para garantir a continuidade. Essa regra não foi aproveitada, o que indica algum erro grave no processo", avalia.

Indefinição prolongada e bastidores da escolha

Ao longo do segundo mandato, Ratinho Júnior manteve em aberto tanto a possibilidade de uma candidatura à Presidência da República quanto a definição do seu sucessor no estado. Três nomes eram os mais cotados dentro do PSD e do secretariado: Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba; Guto Silva, ex-secretário das Cidades; e Alexandre Curi, então presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Diante da espera, Greca se filiou ao MDB e lançou pré-candidatura ao governo em abril — mais tarde, aceitou compor a chapa do PSD como vice. Curi também deixou o PSD e migrou para o Republicanos, de olho na disputa pelo Executivo estadual. Com o cenário já fragmentado, Ratinho optou pelo deputado federal Sandro Alex, seu ex-secretário de Infraestrutura e Logística, abrindo mão de Guto Silva e provocando uma ruptura com o antigo aliado.

Para Zisman, o atraso na decisão prejudicou progressivamente a campanha. Levantamentos realizados até duas semanas antes da eleição ainda apontavam o próprio Ratinho Júnior na intenção espontânea de voto para governador. "O timing foi muito demorado. O governador ficou absorvido com a questão nacional e não conseguiu criar uma unidade inicial. Enquanto isso, Moro já era candidato e percorria o Paraná", destacou o colunista.

Diferença de votos entre os candidatos do PSD acende debate

Os números da eleição também chamam atenção. Sandro Alex recebeu cerca de 1,58 milhão de votos na disputa pelo governo, enquanto Alexandre Curi somou aproximadamente 1,95 milhão de votos ao Senado. Ainda que as regras da eleição para o Senado permitam ao eleitor votar em dois nomes — o que inflaciona parcialmente os totais individuais —, a diferença levanta questionamentos sobre se a escolha do candidato ao governo foi a mais acertada.

Lepre atribui parte dessa diferença à base eleitoral própria de Curi. "O Curi tem votos próprios. Sandro Alex dependeu muito mais da imagem de Ratinho. Se fosse o Curi, poderia ter tido uma chance maior", avalia o cientista político.

Candidatura presidencial desviou o foco

A articulação em torno de uma possível candidatura de Ratinho Júnior à Presidência da República também é apontada como fator que prejudicou a construção da sucessão estadual. Para Lepre, o governador tinha perfil competitivo para uma disputa nacional, mas o movimento desviou a atenção do que precisava ser feito no Paraná.

O cientista político também ressalta que acordos firmados durante as eleições municipais de 2024 complicaram a situação. Em cidades como Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu, prefeitos compuseram chapas com o PL para garantir o apoio do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Lepre, Ratinho deveria ter revisto esses acordos e sinalizado previamente ao PL suas intenções políticas para 2026. "O erro foi não rever o acordo. Ele teria que informar o PL que seria candidato a presidente, e o partido ficaria livre para atuar como desejasse", concluiu.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.