Três cooperativas gaúchas — Cotrijal, Cotripal e Cotrisal — formaram uma aliança estratégica para erguer uma indústria de processamento de soja no município de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul. O investimento total chega a R$ 1,25 bilhão, e o complexo industrial, batizado de Central Cooperativa Industrial Soli3, tem previsão de entrar em operação em 2028, com capacidade para processar 3 mil toneladas de soja por dia.
A iniciativa tem como foco transformar o grão em produtos de maior valor agregado, como óleo degomado, farelo proteico e casca peletizada — em vez de simplesmente exportar a soja sem processamento. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) ilustram bem a diferença: enquanto uma tonelada de soja exportada in natura gera R$ 1.747 em PIB, a mesma quantidade industrializada dentro do país produz R$ 6.710 — uma diferença de quase quatro vezes, considerando os ganhos em transporte, armazenagem, processamento e uso dos subprodutos em cadeias como a de proteína animal e biocombustíveis.
A Soli3 planeja produzir 200 mil toneladas de óleo de soja por ano, volume que será destinado principalmente ao setor de biodiesel. O farelo resultante do processo abastecerá a produção de ração animal, com eventual excedente voltado à exportação. As obras tiveram início em julho de 2024, e a conclusão da primeira fase está prevista para o começo de 2028.
Paraná lidera movimentação no setor
O cenário gaúcho não está isolado. O Paraná concentra alguns dos maiores investimentos cooperativistas em processamento de soja do país. Em 2024, um consórcio de sete cooperativas liderado pela Frísia assumiu o controle de uma unidade de esmagamento em Ponta Grossa — anteriormente operada pela multinacional Louis Dreyfus Company —, em um negócio que superou R$ 1 bilhão.
A Cocamar deu um passo semelhante ao inaugurar, em 2022, uma usina de biodiesel em Maringá com capacidade de produção de 90 milhões de litros anuais. Já a Coamo, considerada a maior cooperativa da América Latina, está construindo em Paranaguá uma usina de biodiesel com aporte de R$ 480 milhões, com previsão de funcionamento a partir do final de 2027. Em Santa Catarina, a Cooperalfa segue o mesmo caminho com um investimento de R$ 230 milhões em uma unidade de processamento instalada em Chapecó.
Biodiesel impulsiona a corrida pelo óleo de soja
A expansão da demanda por biodiesel é o principal motor por trás desses investimentos. Em 2025, o Brasil produziu 9,8 bilhões de litros do biocombustível — crescimento de 8,5% em relação a 2024 —, e o óleo de soja foi responsável por 65,9% de toda a matéria-prima utilizada na produção. As projeções do Cepea apontam para um crescimento adicional de 10,93% no biodiesel em 2026, com o PIB da cadeia da soja devendo expandir 6,87% no mesmo período.
A tendência de alta deve se consolidar com a implementação da Lei do Combustível do Futuro, que prevê o aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel no diesel comum, passando dos atuais 15% para 20% até 2030. O presidente da Soli3, Germano Döwich, afirma que a procura pelo produto já supera a oferta disponível no mercado. Para as cooperativas, montar estrutura industrial própria representa a possibilidade de capturar os lucros gerados nas etapas posteriores à venda do grão, ampliando os retornos financeiros para seus associados.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



