O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira (30), os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) referentes ao terceiro trimestre de 2026 — de julho a setembro. Os números revelam que 4,3 milhões de brasileiros estão trabalhando menos horas do que gostariam e se declaram disponíveis para ampliar a jornada, grupo classificado pelo instituto como subocupados por insuficiência de horas.

Esse contingente cresceu 5,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior, incorporando cerca de 214 mil pessoas. Em comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve redução de 5,4%, indicando melhora no médio prazo.

Contexto da jornada de trabalho

O levantamento foi realizado antes da aprovação, em outubro, da Proposta de Emenda à Constituição que pôs fim à escala de trabalho 6×1 no país. Durante o debate parlamentar, setores contrários à mudança defendiam que as condições de jornada deveriam ser definidas em negociação direta entre empregadores e trabalhadores, enquanto representantes do setor produtivo alertavam para possíveis impactos nos custos operacionais e na produtividade. A ampla adesão popular à proposta e o calendário eleitoral contribuíram para que a PEC reunisse votos favoráveis em ambos os lados do espectro político.

Desalento também avança

Outro indicador que registrou alta foi o número de trabalhadores desalentados — aqueles que estão aptos para trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acreditar que não encontrariam uma vaga. Esse grupo somou 2,5 milhões de pessoas, representando crescimento de 7,5% frente ao trimestre anterior. Na comparação anual, porém, houve queda de 6,8%.

Desemprego no menor nível em 14 anos

A taxa oficial de desemprego recuou para 5,2% no período, o patamar mais baixo registrado para um terceiro trimestre nos últimos 14 anos. É importante destacar que esse índice considera apenas quem está sem ocupação e ativamente em busca de um emprego. Os 2,5 milhões de desalentados ficam excluídos desse cálculo. Se fossem somados à conta, a taxa subiria para 7,2%, diferença de aproximadamente dois pontos percentuais.

Medida mais ampla de subutilização

O IBGE também apura uma taxa de subutilização da força de trabalho, que reúne desocupados e trabalhadores da força de trabalho potencial. Por essa métrica, adotada conforme metodologia da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e utilizada por outros países, o índice chegou a cerca de 9,2% no terceiro trimestre. A própria OIT reconhece que nenhum indicador isolado dá conta de retratar toda a dimensão do desemprego em uma economia, recomendando a análise simultânea de múltiplos indicadores.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.