A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) firmou-se como o maior polo de criação de búfalos do Paraná. Levantamento da Produção da Pecuária Municipal (PPM), divulgado pelo IBGE, aponta que a região concentra 47,6% de todo o rebanho bubalino do estado — resultado de uma mudança de estratégia adotada por pequenos e médios produtores rurais ao longo da última década.

Vale do Ribeira no centro da expansão

O crescimento da atividade tem epicentro nos municípios do Vale do Ribeira e adjacências. Cerro Azul, historicamente reconhecida pela fruticultura, ocupa a primeira posição no ranking de rebanhos bubalinos da Grande Curitiba. Na sequência aparecem Rio Branco do Sul, Adrianópolis, Itaperuçu e Doutor Ulysses. Juntos, esses cinco municípios respondem pela maior parcela dos animais criados em toda a região metropolitana.

Rio Branco do Sul já realizou eventos gastronômicos voltados à cadeia produtiva do búfalo, aproximando consumidores e produtores locais e ajudando a popularizar os derivados da espécie.

Por que os produtores estão migrando para os búfalos?

A principal razão para a troca do gado bovino pelo bubalino é econômica. Os búfalos apresentam características que reduzem os custos de manutenção e os riscos da atividade:

  • Alta rusticidade e menor incidência de doenças em comparação ao gado convencional;
  • Boa adaptação às variações climáticas da região;
  • Taxa de reprodução expressiva, o que diminui perdas e garante reposição do rebanho;
  • Menor necessidade de pastagens especializadas e cuidados sanitários intensivos.

Essas vantagens tornaram a espécie uma alternativa viável para propriedades familiares que encontravam dificuldades em manter a rentabilidade com a pecuária bovina tradicional.

O diferencial do leite de búfala

Do ponto de vista comercial, o mercado lácteo é o grande propulsor da bubalinocultura na RMC. O leite produzido pelas fêmeas da espécie possui teores mais elevados de gordura, proteínas e sólidos totais do que o leite bovino, o que representa uma vantagem direta na fabricação de derivados.

Na produção artesanal de queijos, por exemplo, a quantidade de leite de búfala necessária para obter um quilo de muçarela é menor do que a exigida pelo leite de vaca — o que aumenta a margem do produtor. Essa equação favorável levou muitos agricultores familiares a investir na fabricação de queijos, doces e outros itens de maior valor agregado, além da venda direta do leite para laticínios.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.