Palmas, município do Sudoeste do Paraná, carrega um título histórico: foi o primeiro do Sul do Brasil a receber uma usina de energia eólica. Mesmo assim, o projeto que prometia transformar a região em referência nacional na geração limpa nunca saiu totalmente do papel. Passadas quase três décadas desde a inauguração do complexo, em 1999, a cidade tenta agora atrair investidores — inclusive estrangeiros — para finalmente expandir o parque eólico conhecido como "Rota dos Ventos".

O empreendimento original foi implantado no último ano do governo Jaime Lerner, com apenas cinco aerogeradores, dentro de um projeto privado que previa a instalação de 200 turbinas. A transição de governo estadual, somada ao desinteresse de órgãos de fomento e da Copel em investir na geração eólica local, fez com que a expansão fosse abandonada. A estatal paranaense optou por direcionar recursos para o Nordeste do país, deixando para trás o potencial do próprio estado.

Enquanto o Paraná estagnava, Santa Catarina aproveitou o mesmo potencial de ventos da região e consolidou o parque eólico de Água Doce, por volta de 2002, que hoje conta com mais de 100 aerogeradores em funcionamento. O vereador de Palmas Marquinhos Gomes, que acompanha o tema há 27 anos, lamenta a oportunidade perdida: "Quando houve troca de governo no Paraná, não deram continuidade aos parques, enquanto Santa Catarina abraçou o mesmo potencial. Nós perdemos".

Debate chegou ao Congresso Nacional

A situação do parque eólico de Palmas ganhou repercussão nacional em 2023, quando o tema foi levado à Câmara dos Deputados, em Brasília. A pedido do deputado federal Paulo Litro (PSD-PR), a Comissão de Minas e Energia aprovou a realização de uma audiência pública exclusiva para debater o plano de expansão da usina. O encontro, realizado em outubro daquele ano, reuniu lideranças políticas locais, representantes do Ministério de Minas e Energia e especialistas do setor elétrico.

A audiência evidenciou o contraste entre o expressivo potencial técnico da "Rota dos Ventos" e a falta de avanços estruturais ao longo de quase 30 anos. O objetivo foi alinhar o planejamento energético federal às demandas do município, reforçando que o destravamento das licenças ambientais e a instalação de novos aerogeradores representam uma oportunidade para recolocar o Paraná no mapa da geração de energia renovável no país.

Entraves ambientais e avanços recentes

Ao longo dos anos, as tentativas de ampliar o parque esbarraram em exigências ambientais rigorosas, especialmente pela proximidade com áreas protegidas, como o Refúgio da Vida Silvestre, unidade de conservação federal localizada entre os municípios de Palmas e General Carneiro. O cenário começou a mudar recentemente, com a reformulação dos estudos ambientais e o engajamento direto do governo estadual.

Segundo o vereador Marquinhos Gomes, o novo projeto foi redesenhado para que as instalações fiquem fora dos limites do refúgio ecológico, contornando os principais obstáculos junto ao ICMBio. "O governo estadual abraçou a causa e fez a pauta andar", afirmou.

Tecnologia moderna reduz número de torres necessárias

O avanço tecnológico dos últimos 25 anos também mudou os cálculos do projeto. Os cinco aerogeradores instalados em 1999 possuem torres de 44 metros de altura e capacidade de 500 kW cada. Os equipamentos de nova geração chegam a 150 metros de altura — altura que exige inclusive autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) pelo uso do espaço aéreo. Com essa evolução, um parque que antes demandaria 200 torres pode atingir a mesma capacidade de geração com apenas 80 unidades.

Atualmente, grupos internacionais de países como Alemanha, Indonésia e China avaliam a viabilidade de adquirir e executar o projeto em Palmas. A região apresenta uma vantagem competitiva em relação ao Nordeste: além de não sofrer com a maresia, que acelera o desgaste dos equipamentos, as áreas onde os aerogeradores seriam instalados permitem a convivência com atividades do agronegócio, como o cultivo de soja, maçã, erva-mate, madeira e a criação de gado.

Impacto econômico projetado

Para Palmas, a consolidação do parque eólico pode representar uma transformação significativa nas finanças públicas e na geração de empregos. As estimativas apontam para uma receita de até R$ 100 milhões anuais apenas em ICMS para o município — o que seria, segundo o vereador Marquinhos Gomes, um dos maiores ganhos da história da cidade. "Muitos investidores aguardam a estabilização do cenário político e econômico para avançar nas negociações", ressaltou.

Com informações de Tribuna do Paraná.

Fonte: Tribuna do Paraná.