Diante da perda inesperada de um familiar, muitas famílias se veem obrigadas a tomar uma das decisões mais delicadas da vida: autorizar ou não a doação de órgãos do ente querido. No Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, esse momento é acompanhado de perto pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), equipe responsável por orientar e apoiar os parentes ao longo de todo o processo.
Uma decisão tomada pelo coração
Michele Costa, de 43 anos, passou por essa situação quando perdeu o pai, Carlos Antônio Costa, aos 66 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Como a família nunca havia conversado abertamente sobre o tema, coube a ela e aos seus parentes decidir. O que guiou a escolha foi a memória do espírito generoso do pai. A experiência foi tão marcante que Michele transformou o episódio em arte: ela compôs a música "Legado do Amor", que hoje integra campanhas de conscientização sobre doação de órgãos.
Aparecida Nunes de Lima, de 67 anos, costureira, também viveu esse momento ao perder o filho Juan. Para ela, o atendimento humanizado prestado pelo hospital foi fundamental para se sentir segura ao autorizar o procedimento.
Como funciona o processo
No Brasil, a doação de órgãos só pode ocorrer após a confirmação médica da morte encefálica e mediante autorização expressa dos familiares. A CIHDOTT é responsável por conduzir todas as etapas desse processo dentro do hospital, que incluem:
- Busca ativa de potenciais doadores em UTIs, emergências e centros cirúrgicos;
- Acompanhamento dos protocolos médicos para diagnóstico de morte encefálica;
- Suporte emocional e orientação às famílias;
- Articulação logística com a Central Estadual de Transplantes.
Números do Cajuru
O Hospital Universitário Cajuru, que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apresenta índices expressivos de autorização para doação. Em 2025, foram registradas 40 notificações de potenciais doadores. Das 34 entrevistas realizadas com familiares, 29 resultaram em consentimento — uma taxa de conversão de 85%. Já em 2026, com dados parciais, o hospital contabilizou 27 notificações, 22 entrevistas com familiares e 14 doações autorizadas, representando 64% de conversão.
Setembro Verde e a importância do diálogo
Como parte das atividades do Setembro Verde — mês dedicado à conscientização sobre doação de órgãos —, o Hospital Cajuru realizará, no dia 25 de setembro, às 12h, uma missa em homenagem aos doadores e seus familiares, no jardim da instituição. O hospital também reforça o apelo para que as pessoas conversem com seus parentes sobre o desejo de ser doador enquanto ainda há tempo, tornando a decisão mais clara e menos dolorosa em momentos de luto.
Com informações de Tribuna do Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná.



